Maurício Lopes
Cau Lopez
Com Z ou com S? Em se tratando de um sobrenome tão
importante para a cena eletrônica carioca, pouco importa. O
importante mesmo é que agora tem LopeS/Z na parada! e toda
sexta-feira. Maurício Lopes e Cau Lopez, dois dos melhores DJs
do Rio de Janeiro, estão há algumas semanas, todas as
sextas, no Dama de Ferro com a festa TRUST. Levamos um Papo Reto com
os dois, se liga:
BURN:
Contem um pouco da história de vocês. Como e
quando começaram?
Maurício Lopes: Comecei a tocar meio por
brincadeira, com o Zé Roberto (Mahr) e o Edson (Edhunter)
Sant´Anna ainda no Cubatão/Kitschnet, no comecinho da
década de 90. Em 94 fui indicado pelo Felipe (Venâncio)
para a trabalhar na World Music (extinta loja especializada para
DJs), e comecei a investir em material, a comprar meus
próprios discos. Através do Felipe, que foi quem
realmente botou pilha pra eu começar a tocar, a brincadeira
virou profissão, em 95 no Dr. Smith, "o" clube
underground da época no Rio.
Cau Lopez: A música sempre esteve presente,
seja nos ensaios do meu avô (que era músico erudito),
ou nas rodas de violão na casa da minha avó. Com 13
anos de idade eu montei uma "equipe de som" e tocava nas
festas dos amigos e tal… Mas tudo começou mesmo
há uns treze anos, quando um amigo comprou pickup's e mixer e
começamos juntos a comprar discos (na época com o
Ricardinho NS). Pegamos a época boa das raves no RJ - SP e
quando optávamos pelos clubes, muitas das vezes saíamos
pra ver o próprio Maurício tocar! Daí em diante
foi um caminho de aprimoramento, passagens por alguns estilos,
pesquisas, estudos e aqui estou.
BURN: Como surgiu a ideia de fazer a festa TRUST? Ela
continuará fixa? E esse conceito da
"confiança", o que seria?
Mau: A Trust veio da vontade que eu , o Cau e a
Rô (Rosina Lobosco, a terceira integrante na
produção) tínhamos há um tempão de
fazer juntos uma festa comercialmente despretensiosa, pra se divertir
com os amigos, tocar num som legal, etc. A vontade virou uma
necessidade e resolvemos fazer alguma coisa pra movimentar a noite
carioca, juntando a ideia inicial da diversão com a
necessidade real de criarmos mais espaço para tocar e se
divertir. O conceito de confiança veio como uma forma de
transmitir mais amplamente, pro público em geral, a
sinceridade da iniciativa (que os amigos mais próximos
já conheciam), que é a de fazer uma festa honesta, com
preço justo, com qualidade musical, etc. A noite
carioca anda muito desacreditada e o público cansado de pagar
por serviços mal prestados. A gente quer transmitir a
confiança de que estamos trabalhando para garantir esse
mínimo, o "básico bem feito", que mesmo
parecendo óbvio (um bom som, iluminação, etc)
anda esquecido por aí. Não temos planos a longo prazo,
apenas a vontade de por enquanto continuar fazendo uma festa da qual
a gente possa se orgulhar.
Cau: O conceito de confiança casa com o
objetivo da festa, o de dar a noite do Rio uma opção
no underground de qualidade, com um preço justo, cerveja
gelada, o bem-vindo/boa noite na porta, amigos, bons djs e um bom
som - uma noite onde nós três gostassêmos de
estar ou tocar.
BURN: Vocês acham que a noite do RJ mudou muito
recentemente? Está pior, ou está melhor?
Mau: Eu acho que a noite do Rio, entra ano e sai
ano, entra festa e sai festa, continua na mesma: pouco investimento
em lugares novos e pouquíssimo investimento na
manutenção dos que já existem.
Cau: Não acho que esteja pior ou melhor,
acho que a noite do RJ oscila demais , isso é ruim e é
resultado da já conhecida falta de investimento e infra-estrutura.
BURN: O que não pode faltar em seus sets?
Mau
: Músicas “com assinatura”,
músicas que tenham a minha cara e que, independente do estilo
(house, techno, etc) e do horário em que eu esteja tocando,
"registrem" que eu passei pela cabine. Adoro
comentários do tipo "essa música é a tua
cara", ou "só você pra tocar isso". Hehehe
Cau: Música com "pegada"!
SERVIÇO:
Trust
Sexta, 3 de setembro
Dama de Ferro, 0h.
Entrada somente em dinheiro.
Preços: R$15,00 (c/ welcome-drink) até
1h e R$25,00 após.
É necessária a apresentação de documento
oficial com foto.
Menores de 18 anos não poderão entrar
Produção:
Rosina Lobosco, Cau Lopez e Maurício Lopes.
Fotos: Divulgação
Enviado por Loulou Chavarry + Yugo