No intuito de divulgar os malucos que ainda se aventuram a fotografar
essa modalidade em que se trabalha tanto por tão pouco,
registrando aquilo que é uma das coisas que mais se dá
gosto de fazer, mas menos se recebe pelas (fotografias de shows), eles
fazem uma curadoria de 10 fotos por artista, que fica por um
mês em evidência no site até a escolha do novo expositor.
Conversamos com a Regiane Akemi, criadora da EXPO, para saber um
pouco mais sobre o projeto:
BURN: De onde surgiu a ideia de fazer uma
exposição virtual sobre as fotos?
Regiane Akemi: A EXPO foi o primeiro projeto que propus aqui
na Trama Virtual. Sempre gostei muito da seção Artes
& Ofícios (músicos são convidados a fazer uma
"obra" inspirada em uma música sua e outra na de
outro artista) e saquei que seria bacana dar ainda mais espaço
ao lado visual da música. Outro aspecto legal da EXPO é
dar espaço não só às pessoas que tocam,
mas também às que fazem a cena acontecer de alguma
maneira. Logo no início nem existia uma lista grande de
possíveis colaboradores. Pensamos em uns cinco, convidamos e
hoje percebo que a seção pode ter uma longa vida. A
cada dia descobrimos mais gente talentosa fotografando shows.
BURN: Você acha que as exposições virtuais
tomarão o lugar das tradicionais?
RA: Acredito que não. O que acontece é que hoje
vivemos uma cultura de Flickr muito forte e nossa EXPO se encontra
dentro disso. Uma maneira de organizar, de propor uma curadoria e dar
um destaque ao meio da imensidão da internet.
BURN: Melhor show da vida?
RA: Na verdade são dois bem diferentes, mas que ocupam
o mesmo espaço na minha memória. Em 2006/07 passei uma
temporada em Tóquio e na minha última semana assisti a
Peter, Bjorn and John (com direito a
participação da Victoria) e Bloc Party
(divulgação do segundo disco). Um super intimista e
outro bem "adolescentes enlouquecidos". Foi a chave de ouro
dessa viagem.
BURN: Câmera favorita?
RA: Até tive experiência na faculdade com uma
boa Nikon digital, mas as fotos mais legais que já fiz foram
com as analógicas caseiras. As mesmas que foram utilizadas
pelos meus pais na infância e roubei para mim. A maioria do meu
Flickr foi feita com uma Canon e uma Kodak que
mais parece descartável.
Esta semana o Cartel011, espaço em SP criado pelos
sócios Cristian Resende, Daniel
Ueda e Fernando Sapuppo, recebe a mostra de
fotografia "Subjetivo", dos artistas Marcio Simnch e
Paulo Bega
Foto: Marcio Simnch
A exposição reúne fotos da dupla usando como
principal elemento a luz natural. Paulo escolheu explorar a
sensualidade do corpo e usou também como
inspiração as poses exóticas usadas pelo artista
alemão Hans Bellmer.
Já Marcio usa como referência "Vanitas", e
retrata a morte em ambientes frágeis, misteriosos,
efêmeros e românticos.
O exposição vai até 11 de
setembro. É uma ótima pedida para um final de
semana agradável antes de se jogar na noite.
Cartel 011:Rua Artur de Azevedo, 517, Pinheiros. Tel.: 0/XX/11/3081-4171
Nesta quinta, dia 19 de agosto, comemora-se o Dia Mundial da
Fotografia. Para celebrar a data, convidamos Fernando
Schlaepfer, do I
Hate Flash, e André
Câmara, do Party Busters, para um papinho reto sobre como
revolucionaram os registros da noite do Rio de Janeiro.
Fernando Schlaepfer, do I Hate Flash, e André Câmara,
do Party Busters FOTO: I Hate Flash
BURN: Fale um pouco das fotos do I Hate Flash e do Party
Busters. O que vocês fotografam e como fotografam?
Fernando Schlaepfer (I Hate
Flash): Tentamos evidenciar moda e comportamento registrando
eventos da forma mais espontânea possível, largando o
flash na fuça alheia sem cerimônia, de preferência
antes de dar tempo de fazerem poses para as fotos! É totalmente
diferente do restante do meu trabalho como fotógrafo, mas
também faço questão de deixar ali a minha cara,
ter um estilo e uma narrativa condizente com o assunto em questão.
André Câmara (Party
Busters): Procuramos registrar de maneira autoral as aventuras
boêmio-carioca-alternativas dos fotógrafos da
equipe. Nosso trabalho é ficar bêbado, se
divertir, incomodar a galera que está tentando se divertir,
fazer um gif esquisito, publicar em um endereço estranho e
contar pra todo mundo pelo twitter.
BURN: Se tivesse que fazer um TOP 3 dos melhores sets de fotos
até hoje, quais seriam?
Um que com certeza gosto muito do resultado é o photoshooting do catálogo Inverno 2010 da My
Philosophy, que me chamaram para fotografar as modelos durante uma
festa, usando as roupas da coleção que estava por vir,
mas sem necessariamente estarem posando ou mostrando claramente as
peças; tanto que resultou num set.
E sobre um terceiro... Cara, não sei. É difícil!
Posso falar que é o último, sempre gostamos cada vez
mais das fotos, então vou falar que minha terceira escolha
é o último set publicado por lá haha, que no caso
de hoje, é o da Bootie da sexta-feira 13.
AC: Nossa, acho que já passaram de 100 sets no
partybusters, realmente fica difícil rankear os 3 melhores...
mas vou falar dos que me vieram a cabeça nesse exato momento.
Terceiro Lugar - A Grande Roubada no Scala. nenhum de nós
é um grande entusiasta do Hardcore mas os registros
contrastantes que a cozinha compartilhada com a Pizzaria Guanabara nos
proporcionaram certamente dão um tom diferenciado pra esse
álbum.
Segundo Lugar - O set da Bootie Rio semana passada. Apesar do
calor escaldante, nosso novo membro da equipe, Bira David, desceu
lá e ahazou. Adoro o contraste da tatuagem com a menina nessa
foto.
Primeiro lugar - Halloween da Ausländer de 2009. O set
é antigo e o nosso logo era gigante e pontiagudo mas tem gente
bonita e muito montada. Não tinha como dar errado.
BURN: O que esperar do I Hate Flash e do Party Busters daqui
pra frente?
FS: Esperar continuar sendo odiado Brasil afora haha! Temos
um núcleo consistente no Rio e em São Paulo, e contamos
com outros fotógrafos começando a trabalhar conosco de
várias partes do Brasil. Estamos felizes porque muita gente com
um trabalho de muita qualidade quer participar do I Hate Flash, e
é um prazer pra nós ver o site sendo reconhecido e
crescendo consideravelmente, o que acontece de forma dosada pra
continuar sendo uma fonte de diversão pra gente, afinal, mesmo
lidando profissionalmente com tudo isso, é o motivo principal
da coisa. Algumas mudanças dessa expansão
acontecerão ainda esse ano. Já vêm sendo pensadas
há tempos, mas como todos envolvidos nas mudanças
estruturais do site são bem atolados (me incluo!), está
demorando mais que o previsto. Acontece!
AC: Pode-se esperar mais identidade dos fotógrafos em
cada set e também menos fotos (pasmem). Nossa
intenção nunca foi colocar as fotos de todo mundo que
pisou na pista, queremos as melhores e mais representativas, estamos
tentando buscar novidades e diminuir a distância entre o
fotógrafo e o público. Já foi o tempo em que eu
acreditava que a nossa meta era ser invisível e fotografar as
pessoas sem que elas percebessem. Agora acredito que a foto que deve
ir pro site é aquela em que o fotógrafo conseguiu
influenciar e transformar o momento em algo interessante e
autêntico. É engraçado ver como as pessoas reagem
diferentes com os fotógrafos, duas pessoas na mesma festa podem
aparecer com fotos completamente diferentes. Falando do site em si,
tem várias novidades "virando a esquina aí"
nas próximas semanas. Além de registros
fotográficos, vamos tentar movimentar a noite carioca
ofereçendo conteúdo relacionado a música e
estilo. Ainda estamos fechando a equipe (que triplicou), mas já
estou muito orgulhoso das confirmações, já
trabalhei em pequenas e grande empresas e posso dizer sem medo de
errar que estou cercado pelos melhores profissionais nas suas
áreas, mal posso esperar pra mostrar pra vocês o que
estamos preparando.
Jodele é diretor, editor e homem-multimídia. Faz parte
do coletivo de Vj`s Az0ia Lab. Participou do Red Bull Live Images e
Skol Beats. Fez a parte visual e cenários virtuais de grandes
shows como Moby , Carl Cox, Jota Quest, Lulu Santos, Roberto Carlos,
Gilberto Gil e Capital Inicial. Com tanta coisa boa na bagagem,
levamos um papo reto com ele, que faz a curadoria artística do
Festival VideoAtaq, que rola neste fim de semana, no Parque das Ruínas.
BURN: O que é o VideoAtaq? Conta um pouco pra gente.
Jodele: VIDEOATAQ é uma
intervenção estética. Projeções
gigantescas recriando o espaço urbano. O primeiro grande evento
internacional de videomapping da cidade. Ele foi inspirado no
RiotVideo, que aconteceu pela primeira vez em 2002, em San Francisco,
lá cada VJ levava seu projetor e seu gerador e projetava sobre
um bairro inteiro. O “Videomapping” é uma
técnica de vídeo que permite utilizar a arquitetura como
uma grande tela para projeção, se encaixando
perfeitamente em cada aresta, em cada janela, degrau ou onde mais o
artista quiser mapear. Além dos VJs, o evento conta
também com DJs e Poetas convidados. Há também um
espaço para aprendizagem e debate, já que durante todos
os dias do evento teremos oficinas e mesas-redondas.
BURN: Quais são as atrações
desse ano no VideoAtaq?
Jodele: O VIDEOATAQ vai ter muitas
atrações interessantes. Estamos trazendo gente de todo o
Brasil. De São Paulo vêm o VJ Spetto e o VJ Alexis, de
Brasília vem o VJ Xorume, o 1mpar de Belo Horizonte, a galera
do AntiProjeto do Ceará, além de excelentes Vjs da
cidade: o coletivo Az0ia, VJ Leo Oliveira, VJ John John, VJ Moana
Mayall e VJ Fernando Salis. Teremos também convidados
internacionais, da Suíça vêm os criadores do
Modul8 (melhor software para Vjing da atualidade): Bóris
Edelstein e Ilan Katin, Laki Lazslo, criador do VJTorna, maior torneio
de Vjs do mundo, da Hungria e de portugal o VJ Zaz, vencedor (junto
com o VJ Spetto) do último VJ Torna.
BURN: Quais artistas / Vj`s Nacionais você destaca?
Jodele: Conseguimos trazer uma boa amostragem do que
tem de melhor no cenário VJ do Brasil.
BURN: Em sua mesa de trabalho percebemos uma
parafernalia. Que equipamentos e programas você usa?
Jodele: Uso dois Mackbook Pro com o software Modul8
instalado, um V4 e um DVDJota.
BURN: Você já trabalhou com grandes
artistas como Roberto Carlos, Moby, Gilberto Gil. E também
já fez muita coisa para festas pequenas, em clubes É
muito diferente criar para o mainstream e para o underground?
Jodele: É diferente. A principal
diferença entre criar para o mainstream e para o underground
é que, quando atuo no mainstream, tenho que ter a
preocupação de criar coisas novas e específicas
para cada trabalho, quando atuo no meio underground, fico mais livre
para criar porque não preciso me preocupar tanto com
questões de copyright das imagens que vou utilizar.
Imagina olhar pra cima e "adivinhar" a
previsão do tempo... O que parecia quase impossível se
tornou realidade graças à equipe de design belga do au-Lab. Eles
transformaram a Torre Dexia, um dos famosos arranha-céus de
Bruxelas, em uma tela gigante de previsão do tempo.
A torre, que era apenas uma obra de arquitetura, foi transformada
numa ferramenta funcional para os habitantes da cidade. Foram
instaladas 72 mil luzes de LED nas 6000 janelas, que - controladas por
um sistema que muda sua cor e padrão - descrevem a
previsão do clima do dia seguinte. Nunca vi nada igual e
achei, além de lindo, impressionante.
Para aqueles que pensam que design é só para tornar as
coisas mais bonitas, nas imagens abaixo, eis um de seus principais
objetivos: tornar as coisas úteis e funcionais. Um viva aos
designers belgas!
O Bicicleta Sem Freio é um trio de
ilustradores de Goiania, composto por Douglas de Castro, Victor Rocha
e Renato Reno.
Cada um com seu próprio estilo e traços distintos,
muitas vezes todos presentes em uma mesma ilustração,
mas não importa descobrir qual é responsável por
qual. Fique fã dos 3:
Gatinha Atolada, trabalho autoral
De cada dez ilustrações que eles fazem, nove e meia
têm mulheres desenhadas, seminuas, de preferência.
"Muito fetiche e lindas mulheres", como fazem questão
de frisar.
Não à toa, 2/3 do BSF faz parte da banda Black Drawing Chalks (BDC), e todos eles citam o
rock 'n' roll e seu universo como referência máxima.
Estampa "My Radio", feita pro próprio BDC
Flyer pro show da tour do Black Drawing Chalks na Argentina, no
Niceto Club
Flyer pro show da tour do Black Drawing Chalks na Argentina, no Especies
Renatinho respondeu umas perguntas pro Blog BURN, mostrando que tem
ótimas referências de outros músicos e que
também são ótimos artistas. Além de
revelar que tanto no BSF, quanto no BDC, as inspirações
máximas são as mesmas: as mulheres.
A Galeria Pixel Show em Porto Alegre, participamos com grandes amigos!
Outro a várias mãos, pro Goiania Noise Festival
Cartaz pra representar o BSF no N Design de Curitiba
BURN: O que ouvem enquanto estão ilustrando?
Bicicleta Sem Freio: Quando a gente está desenhando,
sempre rola muita música alta... Vários coisas, de
Leandro e Leonardo a Pantera!
BURN: Quais são suas maiores influências no
Bicicleta Sem Freio?
BSF: No BSF, é o universo do Rock´n Roll;
música, comportamento, elementos visuais e "muito fetiche
e lindas mulheres".
BURN: E no Black Drawing Chalks?
BSF: No BDC...cervejas, mulheres, bons amigos, festas,
viagens e rock 'n' roll!
BURN: Vocês conhecem / admiram algum outro ilustrador
que também seja músico?
BSF: A gente gosta do Kurt Cobain do Nirvana, a Kim Gordon do
Sonic Youth, John Baizley do Baroness, Ron Wood dos Rolling Stones. E
o mais legais Jimmy Page do Led (Zeppelin) e Slash do Guns (N' Roses).
BURN: Quem são ícones do rock pra vocês?
Clássico é Elvis ou Hank Von Helvete?
BSF: Cara, fica complicado. Hahahaha. Mas a gente é de
Goiânia, quem ensinou tudo que a gente sabe foi uma banda daqui
mesmo, nossos pais do rock. MQN - Fabrício Nobre, CJ, Miranda e
Mestre Vasquez.
E pra fechar, fiquem com o clipe de "My Favorite Way",
produzido pelos Bicletas em conjunto com o também
ótimo estúdio Nitrocorpz:
Guarde esse nome: Romeuuuu. Com apenas 21 anos, o artista
gráfico e designer nasceu, cresceu e reside em Itajaí,
Santa Catarina, mas as suas imagens já rodaram o mundo. Criador
da revista digital U
Mag, em sua 80ª edição, e do estúdio de
criação From Brazil, With Love, ele é um dos
blogueiros e colaboradores da revista P.O.P. - uma das mais descoladas do mundo
editorial - e e também do portal FFW, editado por Erika
Palomino e criado por Paulo Borges.
Leia uma entrevista com ele logo logo após a imagem quente da
modelo Lara Stone.
ROMEU SILVEIRA: Surgiu em 2008, mas só em 2009 eu
comecei a levar a sério.
Burn: Você chama o FBWL de um estúdio de
apropriação. O que é esse conceito exatamente?
RS: É um estúdio onde você pega o que
já existe e transforma em outra coisa, dentro de outro
contexto, mas sem tirar o mérito de quem fez a imagem.
Burn: Que técnicas você costuma usar?
RS: Eu gosto de trabalhar no blog com imagens com textura de
papel, que foram escaneadas e depois colocadas na internet. Mas
às vezes, eu abro uma excessões.
Burn: E de onde veio essa imagem da Lara Stone?
RS: Então, a colagem da Lara reune vários tipos
de corte que eu uso no blog: os geométricos, os orgânicos
e etc. Vários estilos em uma colagem só.
Burn: Como foi o convite para ser blogueiro da P.O.P. (Partners Of Pop)?
RS: A revista me chamou para fazer parte do P.O.P. assim que
a última edição foi lançada. Eles deixaram
um comentário no blog pedindo o contato, aí tudo
aconteceu e três semanas depois eu já estava colaborando.
Acho que eles me chamaram porque a edição tinha umas
coisas relacionadas com apropriação e etc. É
muito bom ter o blog lá dentro por conta da visibilidade, dos
novos contatos que aparecem...
O projeto Multiplicidade Imagem_Som_Inusitados é um
festival de performances audiovisuais que acontece desde 2005 no Rio
de Janeiro, e que mostra ao público um amplo repertório
de atrações no Oi
Futuro Flamengo e no Oi Casa Grande, unindo em um mesmo palco arte
visual e sonoridade experimental em espetáculos
multimídia. A sexta temporada teve início em 24 de
junho, numa noite especial que contou com show de Carlinhos
Brown em parceria com o diretor Gualter Pupo e o núcleo de design Arterial.
Trocamos uma ideia com o produtor do evento, Batman Zavareze.
Dá um look:
Burn: Quais são as novidades dessa temporada 2010?
Batman Zavareze: O Multiplicidade vai ao longo do ano
experimentar novas linguagens do vídeo, do cinema, da arte
digital, dos sons ultilizando recursos tecnológicos. Esta
é a nossa busca pela riqueza de diversidade. Ser
inclassificável, sem rótulos fáceis, é o
que justifica nossa multiplicidade. Do pandeiro ao laptop, do
violino aos sensores, qualquer recurso é bem-vindo para
experimentações. Vamos ter nos sons, estilos, que
vão do ritmo africano a música classica de
Villa-lobos, mas sempre revistos. E a plasticidade das imagens
virão acompanhadas de recursos tecnológicos que nos
oferecem um lado mais lúdico sem cair em meros modismos.
Multiplicidade 2008: Peter Greenaway - Tulse Luper VJ Performance
Burn: Você fez algumas viagens atrás de
novidades, não foi? Para onde você foi e o que
conseguiu reunir de bacana?
BZ: Minha última viagem foi em março para a
Turquia, por 15 dias. Fui ver e escutar artistas audiovisuais
(vídeoartistas e músicos) de vários cantos da
Ásia Central (Irã, Uzbequistão,
Quirquistão e a da própria Turquia). Fui em busca de
quebrar meus paradigmas ocidentalizados sobre arte e tecnologia.
Burn: São 5 anos de projeto. O que de mais valioso o
Rio ganhou com o Multiplicidade?
BZ: O Rio ganhou uma plataforma sólida, um novo canal
regular para discutir novos formatos para performances audiovisuais
com o Multiplicidade, e principalmente, com um espaço de arte e
tecnologia como o Oi Futuro. Sem um espaço como este, que
ofereça as possibilidades desta convergência das novas
mídias digitais, nada disso seria possível. O normal
sempre foi importar festivais e projetos de outros estados ou de
outros países. Tudo é válido, mas é
fundamental ter uma plataforma carioca sendo exportada também.
É justo com esta cidade que é tão rica cultural e
artisticamente. Neste ponto, os 6 anos de patrocínio da
Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro e da Oi nos trazem uma
tranquilidade para pensar o futuro.
Multiplicidade 2009: AntiVJ + Principles of Geometry = A
Stereoscopic Show
Burn: Quais foram as maiores dificuldades durante esses 5 anos?
BZ: Se reinventar. Eu contabilizo as dificuldades. Em 2005
tive um prejuízo, e precisei que vender o carro. Foi uma
decisão pessoal para fazer o projeto crescer, e somei minhas
forças aos recursos que tinha. O que ganhei com isso? Parei de
dirigir...rsrs. A cada ano eu invento novos desafios, mesmo que eles
não existam. Qualquer revisão, elogio ou
crítica, será realmente válido quando atingirmos
pelo menos 10 anos. Não digo isso somente pelo festival, mas
pela cidade e para formação artística. Em 2006
conheci um festival de arte eletrônica, o Ars
Electronica, que começou em 1972, no ano que nasci. A
cidade de Linz foi planejada para ser uma sede mundial para pensar
arte, sociedade e tecnologia. Este planejamento me seduz imensamente.
Multiplicidade 2010: making of Carlinhos Brown + Gualter Pupo + Arterial
Burn: Você costuma lançar um catálogo que
documenta cada temporada. Conta mais um pouco sobre isso.
BZ: A cada ano lançamos um livro que documenta nossos
espetáculos do ano anterior, e abrimos espaço para
reflexões sobre as técnicas, linguagens e pensamentos
que passaram pelo nosso palco, mas nem sempre ficam tão
explícitas. Na performance do Arnaldo Antunes, por exemplo, ele
levanta por 5 minutos cartazes com dizeres Totem e Tabu, e vai
colocando dentro de sua própria roupa. É o movimento
antropofágico do mito criado por Freud. No espetáculo
é lindo e emocionante, ele se enchendo de cartazes amassados e
ficando obseso de Totens e Tabus, mas no livro podemos ir
além; com isso chamei uma psicanalista, Numa
Ciro (que também é artista e poeta) para
refletir literariamente sobre o tema e a atitude artística. Em
2009, lançamos nosso livro com um clipe experimental de 15
minutos com sons e imagens do que já vínhamos trazendo
para o público. Em 2010, ganhamos mais 50 páginas com
conteúdo literário. Em 2011, será holográfico.
Junto com Paulo, a banda mais romântica da cidade, Letuce, cria
uma piscina na plateia, de onde o espectador poderá assistir o
show. Em tempos de sustentabilidade, ao invés de água,
bolinhas de isopor. Para deleite do corpo, massagem instantânea
enquanto os ouvidos e os olhos são preenchidos.
Começando o post com um dos tantos motivos de inveja: uma das
bandas que nunca veremos ao vivo, em um de seus inúmeros
registros pelo personagem do post: Bob Gruen.
The Clash
Hoje com 65 anos, Gruen é mundialmente conhecido por suas
fotos de John Lennon - o fotógrafo era amigo do beatle, e
entre tantos outros registros, é responsável pelas
últimas fotografias de Lennon vivo -, o que não
é nada menos que o máximo, porém, longe de serem
seus melhores (ou mais invejáveis) momentos.
Rocker por essência, começou a fotografar shows na
década de 60, e registrou o nascimento (e morte?) do movimento
Punk e da new wave, entre milhares de artistas, bandas, estilos e
momentos históricos - onde ele faz parte ativa da mesma, seja
por ser o responsável pelas "provas", quanto por
fazer parte da cena, sendo profundo conhecedor e admirador de seus
assuntos de trabalho.
Desde sempre admitiu que a pedra fundamental de sua
trajetória foi simplesmente a vontade de estar mais perto das
bandas que gostava, e descobriu que pra ser dono desse lugar na
primeira fileira só precisava de um instrumento: a câmera
dada por sua mãe, que o ensinou a fotografar ainda criança.
O resto é história.
Foi o único fotógrafo a excursionar com os Sex
Pistols, e continua na ativa ainda viajando com as bandas (a da vez
é o Green Day, como você pode conferir nos relatórios da turnê) até hoje.
Os mais de 40 anos prestando serviços fotográficos ao
rock são motivo suficiente pra dedicar o post desse dia
especial ao coroa que invejamos.
Abaixo, mais 10 dos motivos que temos para invejá-lo:
Lennon
Sex Pistols
Ramones
Joan Jett
Kiss
Led Zeppelin
Beastie Boys
Iggy Pop & Debbie Harris, vocalista do Blondie (à
esquerda). Sid Vicious (à direita)
Rolling Stones
New York Dolls
Para continuar se mordendo de inveja, aí vai o link da
sessão do site oficial onde ele dispõe,
organizado por bandas, uma grande parte desse acervo: The files
O cara dispensa apresentações. Polêmico,
controverso, processado, odiado, são tantos adjetivos
negativos que mostram que menos com menos dá mais. A falta de
técnica é chamada de estilo, a ausência de
pós-produção é conceituada como linguagem
e os escândalos são aclamados como subversão... O
fato é que, entendendo ou não os motivos para isso,
todos amam o Terry Richardson.
A subversão e a mudança!
Mas o post não é pra falar do trabalho dele, e sim do
seu blog. Aliás, blog não, é um Tumblr, mas
que ele faz questão de chamar de diário: Terry
Richardson's Diary.
Terry começou a colocar suas fotos lá diariamente a
partir do final do ano passado. Hoje em dia, ele separa por
assuntos, que vão desde ele próprio e seu
diário a pessoas, modelos e uma sessão "a camisa da
semana". E não, não são colocadas apenas
camisas de flanela, apesar do seu guarda-roupas ser exclusivamente delas.
Segundo a equipe do Tumblr - que inclusive consta na galeria de
fotos do diário, - as fotos mais vistas são as de Terry
com celebridades, que volta e meia aparecem com o fotógrafo,
seja em um making of de um ensaio, uma festa, um quarto de hotel...
Lady Gaga, na Polaroid autografada:
Terry e Kirsten Dunst:
Com Dennis Hopper:
Mary-Kate Olsen:
Chloe Sevigny...
Mas óbvio que não é só nisso que o
Blog/tumblr/diário se sustenta.